30 anos
1980-2010

Em 2010, nos 30 anos sobre o boom, foram publicadas 18 entrevistas, 3 destaques e 9 colaborações de escribas da música nacional. Fica aqui esse registo/memória.

COLABORAÇÕES . 30 anos
DESTAQUES . 30 anos

FERRO & FOGO – Entrevista a João Carlos em Maio de 2010

Os Ferro & Fogo são o grande projecto musical de João Carlos e que o tem acompanhado desde 1978 atravessando os anos conturbados do boom, nos quais gravou quatro discos (três singles e um álbum). Sempre numa onda rock a banda – renovada mas com o mesmo e carismático vocalista de sempre – continua na estrada tocando 'covers' (sobretudo de hard-rock), mas já longe dos registos discográficos próprios.

António Luís Cardoso

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Nem tudo eram rosas, nem tudo eram espinhos e pelo menos valeu a pena ter tentado

1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?

As memórias de emoções de juventude, entusiasmo, perseverança, ingenuidade  e ao mesmo tempo concluir que nem tudo eram rosas, nem tudo eram espinhos e que pelo menos valeu a pena ter tentado.

 

2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?

Para mim sem dúvida, Rui Veloso, quer a nível de letras, quer a nível musical, sem desprimor para a escrita de António Manuel Ribeiro, porque a nível musical os UHF sempre foram e são extremamente básicos. Mas atênção que, antes do aparecimento de Rui Veloso, já havia coisas de rock sinfónico muito boas, casos deJosé Cid e de Tantra.

 

3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?

Claro que dessa altura foi o Ar de Rock de Rui Veloso, acompanhado por dois excelentes músicos que eram o Zé Nabo e o Ramon Galarza.

 

4. "Vidas" foi a sequência natural dos dois primeiros singles e o sonho do álbum?

O álbum " VIDAS " foi essencialmente o dizer que tinhamos uma palavra a dizer e estar integrado no chamado Boom do Rock Português e o tentar estabilizar com com temas originais em português, o que não veio a acontecer.

 

5. Como foi essa aventura do hard às peças infantis?

Os temas que foram feitos para as peças infantis, foi estilo encomenda, porque a editora era a mesma e tentámos arranjar uma sonoridade mais hard( à base de riffs de rock) e que complementassema acção da peça em si.Algumas vezes conseguimos, outras não. Mas foi um conceito novo para nós e que pôs à prova os nossos recursos musicais.Foi edificante e acima de tudo divertido.

 

6. O que sentem em saber que ainda hoje se procuram, entre coleccionadores e melómanos, vinis dos Ferro & Fogo, ou mesmo a edição recente em cd?

Saber que existe um carinho especial em relação à banda e a curiosidade de comparar aqueles tempos, com o que actuamente fazemos e de certa maneira,sempre fizémos. A re-edição de todos esses temas em CD, foi uma ideia únicamente da editora (que detém os direitos de reedição) e não fui tido nem achado, pois fui confrontadocom um facto consumado e que de certa maneira, não adianta nem atrasa nada ao que tinha sido feito anteriormente. Por mim não o teria feito.

 

7. Que projectos desenvolvem hoje?

Sempre fomos uma banda de covers e somos neste momento a banda de rock, de covers, mais antiga e ainda em actividade, com uma agenda bem preenchida e com a aceitação geral de enorme parte do público. Estamos virados para uma vertente mais Hard and Heavy (Maiden, Metallica, Manowar, Judas Priest, etc.).

 

8. Há algum projecto/ideia para voltar a gravar?

De maneira alguma, até porque o único elemento de origem sou eu e os tempos são outros. Temos de dar espaço à malta nova. Só pedimos que nos respeitem e que nos considerem como músicos. E é de salientar que grande parte do nosso público tem uma média de idades à volta dos 20-25 anos.

 

9. E que música moderna portuguesa ouvem, agora?

No meu caso pessoal, continuo a ouvir especialmente bandas de power metal, especialmente EDGUY, AVANTASIA, STRATOVARIUS, KAMELOT, JOURNEY, os sempre novos SCORPIONS, etc.

Super Homem

Santa Apolónia

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