30 anos
1980-2010

Em 2010, nos 30 anos sobre o boom, foram publicadas 18 entrevistas, 3 destaques e 9 colaborações de escribas da música nacional. Fica aqui esse registo/memória.

COLABORAÇÕES . 30 anos
DESTAQUES . 30 anos
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"Ninguém esperava que o público nacional aderisse massivamente a rock feito e, principalmente, cantado em português"

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2. Verão quente com rock a fervilhar por todo o rectângulo

Vários estudiosos e melómanos (e, inclusive, músicos) já fizeram uma analogia entre o que se passou na música portuguesa de início de 80 e a revolução dos cravos, uns anos antes. Não é descabido de todo, se pensarmos que o país tentava – como popularmente se dirá – "apanhar tudo com as mãos ambas", entendendo este "tudo" como o conhecimento cultural e outro, antes censurado e/ou vedado. A revolução, agora, era manifestamente cultural numa jovem Democracia. E a música endiabrada que é o rock, se já existia há cerca de duas décadas em Portugal através de bandas e músicos persistentes, tinha agora, também, um vasto público emergente e ávido de música eléctrica nacional. 

E depois de Rui Veloso, os UHF, os Salada de Frutas, os Táxi e outros mais ou menos pioneiros, vieram centenas... tantas centenas que, ainda hoje, se vão descobrindo singles de projectos que não se julgavam existir. Consultando as publicações da época, também por lá aparecem notícias sobre grupos, ora a gravar, ora a editar e que são uma surpresa. Enfim, a contabilidade ainda se fará um dia, decerto. 

Num ápice se chega ao tal Verão Quente da música, em 1981. É o auge do rock nacional: singles e mais singles, concertos, festivais, concursos, programas de rádio e televisão; nascem projectos editoriais – e, também aqui, há lutas de Golias versus David –, empresas de som e agenciamento, grupos que se reunem (como o liderado pelos UHF, Grupos Rock Reunidos), bem como novos espaços – abrindo em Lisboa o emblemático Rock Rendez-Vous. 

Diz-nos Carlos Tavares, do Grupo de Baile (em entrevista publicada AQUI), que a banda se apercebeu tratar-se de uma fama efémera. Muitos terão essa percepção e, outros, pensarão – com a legitimidade do sonho e da paixão pela música –, que poderiam fazer uma carreira. Aqui, também, vingarão uns poucos e a maioria será atropelada por um mercado que, claramente, iria afunilar. 

O 'boom' não é só uma revolução do rock nacional; curiosamente, ganham projecção grupos de música popular portuguesa, como os Terra a Terra ou, num contexto mais alargado (de fusão?), os próprios Trovante, beneficiando de uma onda organizativa do meio, quer quanto aos profissionais das editoras, como também de som, agentes, etc.; tudo ainda incipiente e a tomar forma, mas já em movimento. 

Mas, nesse Verão quente de 1981, vingava o rock. Por enquanto, rei. 

Grupo de Baile - "Patchouly"

Adelaide Ferreira – "Baby suicida"

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