BANDAS/MÚSICOS

Directório de bandas e músicos que gravaram entre 1974 e 1985 na esfera da música moderna portuguesa.

BANDAS/MÚSICOS 1974-1985

Rui Veloso

Rui Veloso
Rui Veloso
Rui Veloso, capa da Música & Som, n.º 86, Dezembro de 1983, onde dá uma entrevista de duas páginas

Rui Veloso é uma das chaves deste boom do rock português. O inusitado sucesso de "Chico Fininho" em 1980 abrirá espaço para um par de anos de loucura nas edições discográficas, procurando as editoras explorar um filão que grande parte das vezes não resulta em ouro. E aproveitando a metáfora, curiosamente, o primeiro disco de ouro do rock português será o primeiro dos Taxi. "Ar de rock", o álbum que continha o "Chico Fininho", só obterá tal galardão o ano seguinte (1981) ao da sua edição. O que nos mostra que outros actores foram importantes para esta explosão do rock nacional, lembrando que os UHF já tinham gravado e andavam na estrada com equipamento próprio (que cediam a outras bandas), algo impensável à época.

Sejam quais sejam os factores, o talento de um jovem amante de blues do Porto, Rui Veloso, aliado a um letrista de exceção, Carlos Tê, foram o mote para o que se passaria nos anos seguintes.

A história já é conhecida: a mãe do artista é que traz do Porto uma cassete com temas do filho a uma editora de Lisboa (onde tudo se passava então), Valentim de Carvalho, daí resultando o interesse pelo músico e a posterior gravação do álbum.

Veloso nunca se sentiu confortável na pele de "pai do rock português". Em boa verdade, não era. O rock nacional já tinha um caminho anterior – com concertos e discos –, dos Quarteto 1111 aos Objectivo, dos Beatnicks aos Petrus Castrus, dos Tantra aos Arte & Ofício e por aí fora.

O caminho que fará, procurando uma marca distintiva na sua carreira dar-lhe-á razão, fugindo dos rótulos, mas, ao mesmo tempo não esquecendo a sua génese, o blues, gostando sempre de lembrar que tocou com BB King em vindas do músico a Portugal como um quase-prémio.

No boom, ainda terá outros sucessos como "Sei de uma camponesa" ou "Um café um bagaço".

Fica aqui, também um texto publicado em 2009 sobre "Ar de rock": 


"O disco
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Este é, ainda hoje, um grande álbum, tendo a maioria das letras a assinatura de Carlos Tê, então emergente escritor de canções e, passados estes anos todos, já um marco da música portuguesa. De tal modo é importante a sua participação que até "dá direito" a foto no "inner sleeve" (invólucro interior). E, na criação das letras não está nada mal acompanhado, pois duas – "Miúda (fora de mim)" e "Donzela Diesel" – têm como autor António Avelar Pinho (um dos mentores da Filarmónica Fraude e da Banda do Casaco), que também produz o álbum.
"Chico Fininho" é o pontapé para o "boom", mas "Sei de uma camponesa", "Afurada" e "Bairro do Oriente", por exemplo, são temas fantásticos, levando a que se cumprisse o estipulado na contracapa: "este disco deve ser tocado bem alto".

O álbum só será disco de ouro em 1981 (já depois do primeiro LP dos Taxi ter atingido tal galardão), mas Rui Veloso ficará – até para algum desconforto seu –, como o "pai do rock português".

É óbvio que já havia música moderna nacional, mas com um sucesso e aceitação tão esmagadores a que assistimos nos primeiros anos da década de 1980, nunca antes.

De referir, ainda a excelência dos músicos, o próprio Rui Veloso, o baixista Zé Nabo e o baterista Ramon Galarza. Aliás, durante algum tempo, o cantor portuense faz-se anunciar como "Rui Veloso e a Banda Sonora", tal como surge no verso da capa.

Uma curiosidade no disco que dá origem ao "boom" é a presença da dupla António Pinho e José Fortes, a qual, mesmo individualmente, estará ligada a inúmeros e posteriores discos de música moderna portuguesa (e não só).


A capa
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Uma foto a preto e branco com Rui Veloso e uma criança sentados num carro antigo, tendo o campo como cenário. Este ar antigo traz-nos um certo anacronismo provocatório com o conceito de música moderna; a tipografia é retirada do universo das máquinas de escrever (na altura máquinas ainda muito actuais e cuja fonte é agora disponível, nos meios informáticos, em diversas famílias, como a "Courier"). De destacar, no "inner sleeve", um breve diccionário para a "gíria" empregue nas canções".

 

Rui Veloso
Rui Veloso, capa da Música & Som, n.º 86, Dezembro de 1983, onde dá uma entrevista de duas páginas

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Tem nove discos presentes no museu.

Sei de uma camponesa
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